06.22.04

A Nau Catrineta

Publicado em Uncategorized às 9:45 pm por Sofia

O Romanceiro Português é um conjunto de romances tradicionais populares. DSem autor conhecido nem texto fixo, os romances são transmitidos por via oral, o que origina um grande número de variantes. A sua origem está ligada aos cantares de gesta.

Maria Augusta Seabra Diniz
in As Fadas não foram à Escola, Lisboa, Edições Asa, 1994.

A Nau Catrineta foi uma das recolhas efectuadas por Almeida Garrett, entre 1830 e 1851 e que juntamente com outra poesias de tradição popular deram origem aos três volumes do Romanceiro.

Lá vem a Nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Ouvide agora, senhores,
Uma história de pasmar.

Passava mais de ano e dia
Que iam na volta do mar,
Já não tinham que comer,
Já não tinham que manjar.

Deitaram sola de molho
Para o outro dia jantar;
Mas a sola era tão rija,
Que a não puderam tragar.

Deitaram sortes à ventura
Qual se havia de matar;
Logo foi cair a sorte
No capitão general.

- “Sobe, sobe, marujinho,
Àquele mastro real,
Vê se vês terras de Espanha,
As praias de Portugal!”

- “Não vejo terras de Espanha,
Nem praias de Portugal;
Vejo sete espadas nuas
Que estão para te matar.”

- “Acima, acima, gageiro,
Acima ao tope real!
Olha se enxergas Espanha,
Areias de Portugal!”

- “Alvíssaras, capitão,
Meu capitão general!
Já vejo terras de Espanha,
Areias de Portugal!”
Mais enxergo três meninas,
Debaixo de um laranjal:
Uma sentada a coser,
Outra na roca a fiar,
A mais formosa de todas
Está no meio a chorar.”

(…)

06.21.04

Ser Feliz

Publicado em Uncategorized às 10:31 pm por Sofia


Ser feliz é maravilhoso
É como ter um balão dentro de ti
e o balão está cheio de ar quente,
tu ficas mais leve e quase a voar.

(…)

Leif Kristiansson
in Ser Feliz, Editorial Presença, Lisboa, 1997.
[tradução de Sophia de Mello Breyner Andresen]

06.15.04

Ciro

Publicado em Uncategorized às 12:02 am por Sofia



De noite todos os gatos são pardos, porque o escuro é tão escuro que apaga todas as cores, mesmo a cor dos pêlos dos gatos.
Mas não em Veneza.
Não em veneza, nas noites de lua cheia.
Porque é nessas noites que os gatos de Veneza exibem todas as suas cores: arqueiam o dorso e espetam o pêlo para parecerem maiores.
Porque é nessas noites que os gatos de Veneza vão à caça de amor.

Também o Ciro andava à caça de amor.
(…)

Beatrice Masini
in Ciro à procura de Amor, Livros Horizonte, Lisboa, 2000.

06.08.04

Os Gnomos de Gnu

Publicado em Uncategorized às 10:19 pm por Sofia


[o texto segue dentro de momentos]