04.29.04
Mais Rimas

Mais uma vez, José Jorge Letria apresenta-nos um livros cheio de versos divertidos para todos aqueles que gostam de ler e ouvir ler.
Por causa de uma cebola
chorei o suficiente
para encher uma ampola.
Com o sal de uma lágrima
dei brilho a uma lantejoula,
apanhei uma papoula,
dei milho a uma rola
e depois sentei-me à mesa
comendo comida crioula.
José Jorge Letria
in Uma Mão cheia de Rimas para Primos e Primas, Terramar, Lisboa, 1996.
04.23.04
Dia Mundial do Livro
Reler não é repetir, é renovar constantemente um infatigável amor.
Daniel Pennac
in Como Um Romance
04.20.04
O Tesouro

Há muitos anos, no tempo em que o teu pai andava na escola, num país muito distante vivia um povo infeliz e solitário, vergado sob o peso de uma misteriosa tristeza. O céu era alto e azul, os campos férteis, o mar e os rios cheios de peixes e de vida, as cidades quentes e luminosas, mas as pessoas que passavam entreolhavam-se com olhos tristes, caminhando apressadamente e sumindo-se dentro das casas; e quando se esncontravam umas com as outras, nos cafés, nos empregos, na rua, falavam baixo, como se alguma coisa, um segredo terrível, as amedrontasse.
Quem, vindo de outras terras, chagava ao Páis das Pessoas Tristes, não compreendia. As pessoas eram boas e afectuosas, e aparentemente só tinham motivos para para ser felizes. Mas quando lhes faziam perguntas, as pessoas afastavam-se e não respondiam, ou mudavam delicadamente de assunto pedindo desculpa.
(…)
Manuel António Pina
in O Tesouro, Associação 25 de Abril, s/d.
04.17.04
Era Uma Vez um Cravo

Tendo como fio condutor um cravo vermelho, a história fala de todo o ambiente vivido em Lisboa no dia da Revolução.
Mais uma vez, José Jorge Letria e o seu filho, André Letria, juntos, num livro vermelho de alegria.
Era uma vez um cravo
nascido no mês de Abril
para enfeitar a tarde
de uma festa infantil
Era vermelho e fresco
como um fruto da estação
e posto numa lapela
fazia um figurão
(…)
E esse cravo de Abril
de um veremlho tão vivo
olhava o mundo em redor
como seu olhar altivo
Mas era um cravo triste
porque triste era o seu país
e a sua tristeza ia
desde o caule à raiz
(…)
Mas nessa noite acordou
ao ouvir na telefonia
uma música bonita
que anunciava alegria
Um cantor chamado Zeca
dizia no seu refrão
que era tempo de amizade
com um travo de emoção
(…)
José Jorge Letria
in Era uma Vez um Cravo, Câmara Municipal de Lisboa – Departamento de Cultura, 1999.
04.16.04
Livros infantis e juvenis sobre a Revolução
A partir de hoje e durante alguns dias vou dar-vos a conhecer alguns livros que falam sobre o 25 de Abril. São todos muito diferentes: uns com uma linguagem mais simples, outros com um discurso mais elaborado, uns com ilustrações, outros sem qualquer tipo de desenho ou com muito poucos, uns em prosa, e outros em verso. De qualquer forma, todos eles são excelentes.
Espero que gostem!
04.14.04
A poesia na prosa das palavras

Mais um livros da minha infância.
A edição já é muito antiga, data de 1986. Presentemente, a capa do livro está um pouco diferente mas acho que as alterações não foram assim tão grandes e é fácil reconhecer o livro em qualquer livraria.
O Sol
Eu devia ter uma pena de luz para contar esta história. E não tenho. Mas os olhos dos meninos são luz e quem me lê há-de emprestar luz a estas palavras.
Chovia muito. Dias seguidos. Às vezes a chuva cai miudinha como flores. Ou dedos leves e frios que nos passm pela cabeça, pelo rosto. Mas agora não. Tinham sido cordas de chuva, grossas. Longos e grandes navios de chuva. E o Sol não aparecia.
Chovia muito. Muito. Levantava-se o dia a chover. A noite subia da terra para o céu naqueles navios de água.
Tudo andava triste. Nem folhas, nem flores, nem aves, nem um dia de Sol. E o menino andava triste.
(…)
Matilde Rosa Araújo
in O Sol e o Menino dos Pés Frios, Livros Horizonte, Lisboa, 1986.
04.12.04
O Palhaço de Deus

O Palhaço de Deus, Tomie de Paola, Difusão Verbo, Lisboa, 1983.
Uma lenda muito bonita sobre um homem simples que apenas queria fazer os outros sorrir com o seu Sol nos Cèus.
Porque a felicidade é de todos os homens e não só daqueles que acreditam em Deus.
Para crianças a partir dos 7 anos.
04.07.04
Queres Ouvir? Eu Conto

Queres Ouvir? Eu Conto, Irene Lisboa, Editorial Presença, Lisboa, 1993.
Como diz autora do livro, são histórias para maiores e mais pequenos se entreterem.
São contos pequenos que dão ênfase à oralidade; são contos que possuem um universo imaginário muito rico mas que não deixam de se assemelhar a outras histórias conhecidas ou até mesmo, a certas histórias de vida de muitas pessoas.
Para crianças a partir dos 7 anos.
04.05.04
Poesia

Não quero, não
Não quero, não quero, não
ser soldado nem capitão.
Quero um cavalo só meu. seja baio ou lazão,
sentir o vento na cara,
sentir a rédea na mão.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Não quero muito do mundo:
quero saber-lhe a razão,
sentir-me dono de mim,
ao resto dizer que não.
Não quero, não quero, não,
ser soldado nem capitão.
Frutos
Pêssegos, pêras, laranjas,
Morangos, cerejas, figos,
Maçãs, melão, melancia,
Ó música de meus sentidos,
Deixai-me agora falar
Do fruto que me fascina,
Pelo sabor, pela cor,
Pelo aroma das sílabas:
Tangerina, tangerina.
Eugénio de Andrade
in Aquela Nuvem e Outras, Edições Asa, Porto, 1986.
Para crianças a partir dos 6 anos.
